quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Vitrine

Queria que a tua presença finalmente,
pudesse me deixar em paz;
Mas como você bem sabe,
adoro este caos sublime que não hesita em me rasgar ao meio.
Fiz de você meu tormento predileto,
que insisto em sempre imaginar estar depois da próxima curva,
e da próxima, depois desta.
Com um espaço na sua vida que eu não posso ocupar;
Te vejo chorar.
Te observo através de uma vitrine feita da tela de um celular;
Hesito em falar...  e calo.
Te vejo rindo, abraçada a demônios,
seguindo os passos teus, num caminho que não ouso percorrer.
E você chora, por baixo da tua superfície de cabelos e batom vermelhos;
E nem permite que eu te odeie,
por me atormentar com essa sensação de impotência.
Por me manter alheio à lágrimas que você não percebe cair;
Não percebe, por escolher continuar a caminhar na chuva.

Foto: Renato Caio

4 comentários:

  1. Escolha difícil, de esconder os sentimentos.
    Parabéns pelo escrito!

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  2. "...Mas como você bem sabe, adoro este caos sublime que não hesita em me rasgar ao meio."
    deu pra sentir no peito.

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